Seja um Fotógrafo de Belas Artes

Como proceder para crescer e desenvolver-se como Fotógrafo de Belas Artes? Basicamente, a utilização regular da sua máquina fotográfica com intenção deliberada, embora prestando atenção ao que se segue, é o que a leva a isso.

  1. OBJECTIVO: fazer imagens que despertem o pensamento e as emoções do espectador.
  2. DESENVOLVER A SUA HABILIDADE DE ‘VER’: é a primeira e mais importante habilidade que precisa de aprender.

Exercícios de ‘VER’: Reserve 45 minutos de vez em quando em sua casa, com a sua câmara e um assunto que tenha o seu interesse constante. Relaxe durante alguns minutos e depois comece a tirar fotografias. Estude parte do seu assunto por um momento ou dois, depois volte a concentrar-se noutra parte do seu assunto e estude-a durante algum tempo. Torne-se consciente das cores e formas. Veja quantos detalhes pode encontrar. Depois note o seguinte:

  • Respostas pessoais : Está a ‘sintonizar’ os seus sentimentos/pensamentos para localizar o assunto, ou parte dele, com o maior interesse pessoal para si.
  • Impressão : olhe para o assunto que escolheu, ou qualquer parte dele, e veja-o simplesmente como uma forma geométrica ou um arranjo de formas geométricas. Note a posição onde as coisas parecem mais atraentes do ponto de vista gráfico.
  • Expressão : O que é que o assunto parece expressar na forma de:
  • Sensação; áspero/frio? quente/frio? afiado/frio? duro/mole? em movimento/parado? Etc.
  • Emoção & Humor: amor/ódio? alegria/sadureza? raiva/delight? paz/turmo? Tranquilidade/distúrbio? Responder com as suas percepções de sensação e emoção.
  • Significado: que ideias o assunto parece sugerir? Responda com o seu intelecto.

*Tema do Subjecto: Perante as suas respostas pessoais, a impressão gráfica, o que é expresso e parece ser dito, decida sobre um tema, a ideia/sentimento principal que deseja transmitir ao observador de imagens.

  1. DESENVOLVA NOVAS FORMAS DE “VER”: Pode entrar numa rotina visual de procurar o mesmo tema antigo e depois fotografá-lo da mesma maneira antiga, produzindo mais uma vez o mesmo tipo antigo de imagens, etc. Fica-se aborrecido, e dá-se por si no marasmo. Quando isto acontece, ou melhor ainda, antes de acontecer, é preciso saber o que fazer a esse respeito.

Uma boa maneira de quebrar as regras habituais de “ver” que ganham um controlo indesejado sobre a sua produção de imagens é, antes de mais, escrevê-las. Em seguida, com a lista em mãos, faça cerca de 40 fotografias enquanto contradiz deliberadamente as suas regras de ‘hábito’ visual.

Quando examinar as imagens resultantes, mantenha a mente aberta. Lembre-se, está à procura de novas ideias, por isso procure imagens que goste ou não goste fortemente. Depois, leve algum tempo a descobrir em cada caso o que o faz sentir dessa forma, e como pode fazer mais imagens semelhantes, mas melhoradas. Tenha em mente que quer ser sensível, e aberto ao acaso.

Finalmente, não se esqueça de aplicar as coisas novas que aprende o mais depressa possível. E lembre-se que o exercício acima, para pensar e ‘ver’ de novas formas, pode ser feito quase a qualquer momento e em qualquer lugar, não apenas quando estiver a tirar fotografias. A realização deste exercício de tempos a tempos irá mantê-lo fora da rotina da sua fotografia de belas artes e também o ajudará a encontrar novas formas de ‘ver’ e de fazer fotografias de belas artes.

  1. DESENVOLVA A SUA IMAGINAÇÃO: fazer fotografias de belas artes envolve o uso da imaginação livre; Enriqueça a sua imaginação indo a galerias de arte e estudando arte em vários meios, e registando as suas Respostas Pessoais, a Impressão Gráfica, a Expressão e o Significado. Pratique a pré-visualização antes de sair para tirar fotografias; imagine-se a tirar fotografias, a ver as fotografias resultantes, a fantasiar aventuras fotográficas, etc. Comece um comboio de pensamento fotográfico mesmo antes de ir dormir e depois ‘durma sobre ele’. Desta forma, pode desenvolver a sua imaginação.
  2. ISOLAMENTO E ESCOLHA DE PRÁTICAS: fazer fotografias de belas artes também envolve:

Isolamento – separar as várias partes do assunto do todo; olhar para um assunto e anotar: 1) o que evoca as suas “respostas pessoais” 2) o que constitui os elementos de “impressão”, “expressão”, e “significado”. Pode, e deve, tentar melhorar as suas capacidades de isolamento através da prática, e pode praticar em quase qualquer lugar, a qualquer momento.

Escolher – escolher os elementos essenciais do assunto a partir de tudo o resto, de modo a obter a disposição mais eficaz dentro da imagem, através da posição da câmara, distância focal, profundidade de campo, velocidade do obturador, sobre/direito/sobre-exposição, etc.

  1. INCORPORAR ‘EXPRESSÃO’ E ‘SIGNIFICADO’:

No que diz respeito à ‘expressão’ e ‘significado’ inerentes ao seu assunto, ela surge através do simbolismo. É necessário que tenha consciência do(s) simbolismo(s) inerente(s) a qualquer assunto. Estes são chamados “símbolos de conteúdo”. Também precisa de tomar consciência dos simbolismos que podem surgir na sua fotografia, devido à forma como escolhe fotografar o assunto, ‘símbolos de estilo’. Os símbolos de ‘conteúdo’ e de ‘estilo’ têm de funcionar em conjunto. Uma analogia; as palavras de uma proposta de casamento (conteúdo) e o tom/inflexão da voz utilizada (estilo) devem combinar bem, sendo agradáveis ao ouvido (“impressão”), tendo um sentimento apropriado (“expressão”), e pensamentos claramente expressos (“significado”), para uma comunicação eficaz de uma ideia principal e central – “queres casar comigo?” (“tema do assunto”).

Expressão:

Ter em mente que as pessoas em geral respondem com diferentes sensações/emoções a diferentes formas, texturas, linhas, tons, cores, padrões, etc., com base nas qualidades que nelas percebem. Assim, uma imagem da neve pode expressar a sensação de frio ou a emoção de tristeza. Há algo inerente às formas ou cor da neve que evoca uma sensação de frio, ou tristeza. Através da cor e da forma, etc., reconhecemos a expressão de sensações e sentimentos ou humores. Sempre que algo atrai o seu interesse, tente notar primeiro a expressão inerente. Responda ao seu assunto com a sua percepção das sensações, emoções e humores.

Significado : Não só as pessoas respondem com a percepção de diferentes sensações/emoções aos elementos visuais do assunto, mas também respondem com a percepção de diferentes ideias sobre eles. Assim, uma imagem de uma montanha pode sugerir ideias tais como majestade, permanência ou isolamento. Assim, tente notar o significado inerente ao assunto que escolheu. Responda principalmente com o seu intelecto a este aspecto do assunto.

  1. EXERÇA O CONTROLO ATRAVÉS DA CONSCIÊNCIA DAS PROPRIEDADES ÚNICAS DA FOTOGRAFIA: Há uma série de características fundamentais da fotografia que a distinguem de outros meios visuais, e é preciso estar atento a elas ao fazer fotografias:

a. Um objecto existente sempre em frente da máquina fotográfica.

b. Capacidade de renderizar com precisão os detalhes.

c. Escolha do momento de tirar a fotografia.

d. A velocidade de exposição.

e. Pode tirar partido de eventos fortuitos.

f. A completa dependência da luz

g. A câmara vê alguns objectos de forma diferente do olho humano, porque corrigimos mentalmente as distorções enquanto a câmara não o faz.

h. As diferentes lentes da câmara vêem o espaço de formas diferentes.

Como fotógrafo de belas artes, deve examinar cuidadosamente a imagem através do visor, a fim de visualizar o que a câmara irá gravar e ser sensível a quaisquer elementos que não serão gravados à medida que o olho os percebe. Depois pode considerar se precisam ou não de ser corrigidos e, se precisarem, como o fazer.

  1. TRABALHE OS BÁSICOS DA BOA COMPOSIÇÃO: o pensamento e os esforços do fotógrafo de belas artes para organizar visualmente os vários elementos de uma imagem dentro do visor da câmara, de acordo com os princípios do design visual para comunicar eficazmente o que vê, sente e pensa, em ligação com o assunto, fazendo-o de forma simples, fresca, e ao maior número possível.

Elementos: Os componentes gráficos, coisas visuais básicas, que compõem uma imagem. Tenha em mente que cada um destes elementos contribui não só para a “impressão” de uma imagem, mas também para a “expressão” e o “significado”. Os componentes são:

Princípios: As directrizes básicas que precisam de ser aplicadas para se fazer uma boa imagem:

Tema: Tema: O princípio supremo. Logo no início da realização de fotografias de belas artes, a selecção de um “tema” apropriado é essencial. É uma ideia temática que pode prontamente fundamentar o tema, e que é desenvolvida ou elaborada numa fotografia do tema. Fazer uma descrição alargada, detalhada e específica das coisas é o meio mais rápido, mais útil e prático de derivar um tema temático apropriado.

Ordem:

Organização do quadro para trazer simplicidade e clareza à impressão geral, expressão, significado e tema do assunto.

Dinâmica:

contrastes de qualquer tipo produzem tensão, e trazem dinâmica a um quadro; um sentido de força,vitalidade, vida, etc.; grande parte dela já está presente no tema com todos os seus contrastes inerentes (linhas, formas, tons, cores, etc.) – o desafio é simplesmente controlá-los, dirigi-los e organizá-los.

Dominância:

alguns aspectos da composição influenciam-na mais fortemente do que todos os outros aspectos. A parte dominante de uma fotografia é muitas vezes chamada o centro de interesse.

Equilíbrio:

há dois tipos de equilíbrio; simétrico(formal) – transmite formalidade regimentada, rigidez, estática, etc, e assimétrico(informal) – é mais dinâmico, com tensão entre objectos de tamanho, cor, forma, etc. diferentes. O equilíbrio pode ser alcançado através da “impressão” dos objectos na imagem, ou através da sua “expressão” e “significado” na imagem.

Proporção :

tem a ver com o tamanho relativo dos objectos no espaço da imagem. A proporção de espaço atribuída a um objecto maior em relação à que é dada a um objecto menor

Padrão/Ritmo:

estão intimamente relacionados. Um padrão é uma configuração específica de elementos visuais – um desenho. O ritmo envolve repetições de um padrão, a intervalos regulares. Traz ordem e sentido da dinâmica a uma imagem

Deformação :

a deformação (alterando a forma geral) dos elementos visuais que os torna instáveis, criando tensão. Pode também criar perspectiva (a impressão de profundidade) na imagem ou no objecto. Tanto a posição da câmara como a escolha da lente afectam fortemente a deformação.

  1. UTILIZAR VÁRIAS ABORDAGENS, TIPOS E EVITAR A ARMADILHA DAS FÓRMULAS

Abordagens de imagem: existem três abordagens básicas para compor fotografias de belas artes:

  • A abordagem Introspectiva: na qual os seus sentimentos e ideias pessoais para o assunto em questão determinam a concepção e composição da fotografia.
  • A abordagem extrospectiva: na qual, independentemente da sua resposta natural ao tema, é guiado unicamente pelas características visuais inerentes ao tema em questão na determinação da composição da imagem.
  • A Abordagem Ambispectiva: uma abordagem que é uma combinação das duas abordagens anteriores. É a melhor abordagem e a que mais frequentemente se utiliza.

Tipos de imagens: Uma fotografia de belas artes pode ser um dos seguintes tipos, conforme determinado pelo artista:

  • Documentário; a ênfase da fotografia é simplesmente retratar o assunto, transmitindo informação visual sobre o mesmo da forma mais precisa possível.
  • Interpretativa; a ênfase da fotografia é em transmitir os sentimentos e pensamentos do artista sobre o assunto, o que pode resultar numa imagem muito impressionista.
  • Uma combinação; a ênfase da imagem é alguma combinação de interpretativa e documental

Fórmulas de imagem: Não transforme a sua fotografia de belas artes num conjunto de fórmulas técnicas. Irá abafar a intuição, e o input emocional, e colocar a técnica à frente da ‘expressão’ e do ‘significado’.

  1. ATENÇÃO À COMPOSIÇÃO DO INTERESSE E DA PRÁTICA: Preste sempre atenção às coisas que despertam o seu interesse. Quando algo o faz, examine-o de perto e comece a verbalizar: ‘O que é que me atraiu? Explore visualmente o assunto e pense na impressão, expressão, e significado do assunto, etc., enquanto verbaliza a si próprio à medida que o faz. Decidir sobre uma abordagem de produção de imagens e um determinado tipo de imagem.

Com a abordagem ambispectiva, procederá cristalizando e condensando:

1) os seus pensamentos e sentimentos pessoais sobre o assunto em questão;

2) o que é o aspecto mais graficamente apelativo do assunto;

3) o que o assunto exprime intrinsecamente; e

4) o que o assunto diz intrinsecamente, num tema concisamente redigido, ao mesmo tempo que vê no seu olhar uma imagem final que o transmite de forma agradável e eficaz. O tema do tema escolhido serve de orientação primária para todos os esforços de composição que se seguem.

  1. FAZER IMAGENS CONTINUAMENTE: A coisa mais importante que pode fazer com a sua máquina fotográfica é usá-la. Ao fotografar alguns minutos todos os dias, desenvolverá as suas capacidades e habilidades como fotógrafo de belas artes, e em breve terá uma extensa colecção de fotografias de belas artes. Caso contrário, perderá as suas aptidões e capacidades. Para ter a alegria de fazer um bom trabalho, e crescer como fotógrafo de belas-artes, tem de fazer fotografias continuamente!

Leave a Reply

Your email address will not be published.